
A decisão de matrícula começa na experiência: por que toda escola deveria ter um evento de recepção para aspirantes.
Existe um momento que poucas escolas percebem, mas que define o futuro da matrícula.
Não é o folder, o ranking, o anúncio patrocinado. É a visita.
E é ali que muitas instituições perdem alunos sem perceber.
Vou compartilhar uma experiência pessoal. Quando fui procurar escola para o ensino médio do meu filho, ele já estava inclinado a estudar em uma instituição conhecida por ser muito forte em uma disciplina que ele ama. A decisão parecia praticamente tomada.
Fomos conhecer a escola. Uma atendente, educada, mas distante, limitou-se a mostrar as dependências:
“Esse laboratório é para isso.”
“Essa sala serve para aquilo.”
“Aqui funciona tal atividade.”
Corredores vazios. Salas frias. Estrutura impecável. Mas não havia vida. Nada errado, mas nada memorável.
Visitamos outra escola. Naquele dia, de maneira estratégica, estava acontecendo um evento de boas-vindas aos aspirantes a estudantes.
Alunos veteranos recepcionavam as famílias, guiavam os visitantes pelos espaços, falavam espontaneamente sobre suas experiências.
Havia jogos esportivos acontecendo, atividades lúdicas, música ao vivo. A escola estava pulsando.
Meu filho perguntava aos veteranos como era estudar ali e as respostas eram naturais:
“A gente gosta muito.”
“Os professores são próximos.”
“Você vai curtir.”
Naquele momento, não era mais uma visita técnica, era pertencimento.
Não é difícil imaginar qual escola ele escolheu.
Agora vamos ao dado objetivo. Estamos falando de um ticket alto, multiplicado por 13 mensalidades ao ano. Em três anos de ensino médio, são 39 boletos adicionais na estrutura financeira da escola.
Uma experiência bem construída gerou uma decisão estratégica de matrícula.o.
Muitas escolas investem pesado em marketing digital, tráfego pago, campanhas diversas, mas não estruturam um evento pensado exclusivamente para receber aspirantes. Não criam um ambiente acolhedor. Não colocam alunos veteranos como protagonistas.
Não organizam atividades acontecendo ao mesmo tempo para que a escola seja percebida em movimento.
E o que converte não é a sala vazia. É a escola viva, o poder do aluno veterano
Nenhuma campanha publicitária tem a força de um aluno dizendo com brilho nos olhos:
“Eu gosto de estudar aqui.”
O testemunho espontâneo é mais poderoso do que qualquer argumento institucional.
Quando o aspirante conversa com quem vive a escola todos os dias, a decisão deixa de ser racional e passa a ser emocional e decisões educacionais são profundamente emocionais.
O setor de eventos tem e precisa ser estruturado para ser um aliado do setor de marketing na captação. Quando a escola profissionaliza seu setor de eventos, ela amplia seu papel estratégico.
Evento deixa de ser apenas festa junina ou feira cultural e passa a ser ferramenta de captação, retenção, posicionamento e engajamento comunitário. E isso exige planejamento, intencionalidade e gestão.
A pergunta que fica é simples:
Se a decisão de matrícula acontece na experiência, por que sua escola ainda trata a visita como um protocolo burocrático?
Talvez o próximo aluno não esteja escolhendo a melhor estrutura, esteja escolhendo onde se sente pertencente.
E pertencimento se constrói com experiência.
Por Walmir Fernandes, co-founder da Festou e criador do Guia Eventos Escolares