
Evento na escola sem celular: quando desconectar também faz parte da experiência
Equipe Guia Evento Escolar
Autor do Blog
O celular já faz parte da rotina de crianças, adolescentes, famílias e escolas. Ele serve para estudar, pesquisar, conversar, registrar momentos, acessar informações e, claro, também para entretenimento.
Por isso, falar em um evento escolar sem celular não deveria significar tratar o aparelho como um problema ou como algo que precisa desaparecer.
A proposta pode ser bem mais simples: criar algumas horas de pausa.
Um período em que os estudantes possam olhar menos para uma tela e mais para quem está ao lado. Participar de uma brincadeira sem pensar em gravá-la. Conversar sem interromper a conversa para conferir uma notificação. Assistir a uma apresentação sem necessariamente pensar no story que será publicado depois.
Não é sobre ser contra o celular
É importante fazer essa distinção.
A própria política educacional brasileira não trata a tecnologia como algo que deve ser eliminado da escola. A Lei 15.100/2025 estabelece restrições ao uso de aparelhos pessoais por estudantes na educação básica, mas prevê situações de uso pedagógico, acessibilidade, inclusão, saúde e outras necessidades. O Ministério da Educação também afirma que a regulamentação busca equilibrar o uso da tecnologia, e não afastar os estudantes do mundo digital.
Ou seja: a discussão não precisa ser “celular sim ou celular não”.
Pode ser:
“Quando o celular ajuda e quando vale a pena deixá-lo de lado?”
Essa é uma pergunta especialmente interessante quando falamos de eventos escolares.
Por que experimentar algumas horas offline?
Existe uma razão para o tema estar tão presente nas escolas.
Segundo informações divulgadas pelo Ministério da Educação com base no PISA Brasil 2022, 80% dos estudantes afirmaram que o celular prejudica sua concentração em sala de aula. O próprio governo também destaca que o uso não pedagógico de dispositivos individuais pode dificultar a socialização e enfraquecer vínculos entre estudantes e educadores.
Isso não significa que todo uso de celular seja prejudicial.
Significa que contexto importa.
Uma coisa é utilizar o smartphone para pesquisar uma informação durante uma atividade. Outra é estar em uma gincana com os colegas e passar boa parte do tempo olhando notificações.
Uma coisa é registrar uma apresentação. Outra é passar toda a apresentação preocupado em filmá-la.
Uma coisa é usar a tecnologia para aproximar pessoas. Outra é permitir que ela interrompa constantemente uma interação que já está acontecendo.

E é justamente aí que entra o evento sem celular
Imagine uma escola organizando uma noite de jogos.
Na entrada, os estudantes são convidados a guardar os celulares durante algumas horas.
Depois disso, começam os desafios.
Tem gincana, música, dança, jogos de tabuleiro, caça ao tesouro, oficinas, desafios entre equipes e atividades que exigem colaboração.
Sem notificações.
Sem a necessidade de postar imediatamente.
Sem a preocupação de transformar cada momento em conteúdo.
O objetivo não é criar uma experiência “anti-tecnologia”.
É criar uma experiência mais presente.
O que colocar no lugar da tela?
Essa talvez seja a parte mais importante.
Não adianta apenas pedir para os alunos guardarem o celular. A escola precisa oferecer uma programação que faça sentido.
Algumas possibilidades:
Noite de jogos
Jogos de tabuleiro, cartas, desafios de lógica e competições entre equipes.
Gincana
Provas físicas, desafios de criatividade, perguntas, enigmas e atividades colaborativas.
Festival de talentos
Música, dança, teatro, poesia, stand-up, apresentações e performances dos próprios estudantes.
Oficinas
Arte, pintura, culinária, customização, fotografia analógica ou atividades manuais.
Caça ao tesouro
Uma experiência que faça os alunos circularem pela escola, trabalharem em equipe e resolverem desafios.
Festa temática
Uma programação com música, dança, decoração, brincadeiras e momentos de interação.
Acantonamento
Uma oportunidade ainda mais interessante para criar uma experiência offline, com gincanas, jantar, música, histórias, brincadeiras e atividades coletivas.
Mas e as fotos?
Essa é uma das primeiras perguntas que aparecem quando se fala em um evento sem celular.
E a resposta não precisa ser: “não teremos fotos”.
A escola pode contratar ou disponibilizar uma equipe responsável pelos registros.
Assim, os momentos continuam sendo fotografados, mas quem participa não precisa passar o evento inteiro com o celular na mão.
Também é possível criar um momento específico para fotos.
A experiência continua sendo registrada, mas o registro deixa de ser a atividade principal.

Um evento sem celular pode virar uma experiência diferente
Talvez a grande oportunidade esteja justamente aí.
Durante um evento tradicional, muitas vezes os estudantes são espectadores, participantes e, ao mesmo tempo, produtores de conteúdo.
Eles assistem.
Fotografam.
Filmam.
Publicam.
Respondem mensagens.
Voltam para o evento.
Filmam novamente.
Ao propor algumas horas offline, a escola pode experimentar outra dinâmica.
Participar primeiro. Registrar depois.
E isso pode gerar situações simples, mas importantes: conversar com alguém com quem normalmente não conversa, descobrir uma habilidade de um colega, entrar em uma brincadeira inesperada ou simplesmente ficar entediado por alguns minutos, e descobrir o que fazer depois.
Desconectar também é uma habilidade
A discussão sobre tecnologia na escola não precisa ser uma disputa entre o mundo digital e o mundo analógico.
Os dois fazem parte da vida dos estudantes.
A própria orientação oficial sobre o tema defende o uso consciente e intencional da tecnologia, ao mesmo tempo em que destaca a importância de preservar momentos de socialização, movimento e convivência.
Por isso, talvez um evento sem celular seja menos sobre “tirar o celular dos alunos” e mais sobre mostrar que eles também conseguem se divertir, aprender e se relacionar quando a tela fica um pouco distante.
A tecnologia continuará esperando quando o evento acabar.
As notificações também.
Mas aquela conversa, aquela brincadeira, aquela apresentação ou aquela história compartilhada entre amigos acontece uma única vez.
E talvez algumas experiências mereçam ser vividas antes de serem postadas.
